Sentir-se...

E não era porque os antigos moradores haviam morrido ali. Nem porque o último quarto era escuro e vazio. Também não era porque todos dormiam cedo e, definitivamente, não era porque o banheiro ficava distante. Nem ela sabia o porquê daquela sensação, mas ela a sentia. E de tal forma que as pernas pareciam travar-se. Com algum esforço, levantava-se e ia; acendendo uma após outra, todas as luzes da casa. Mas a sensação estranha permanecia lá, mesmo com as luzes. E ela voltava, quase a correr. Ela não se lembrava, mas aquela sensação a acompanhara desde sempre; e não questionava-se o porquê de a sentir mas, lá no fundo, no seu íntimo sabia. Sabia que sentia-se infinitamente só. Mas não somente agora, no escuro, enquanto todos dormem. Não só a noite. Mas sempre. É que no escuro, e no silêncio, nossos medos desafloram.

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